Auditor Fiscal aposentado Eugênio Niesciur transformou um terreno ocioso em espaço de cultivo coletivo, que hoje abastece famílias e inspira novos projetos em Itapema.

A poucos metros do prédio onde mora, em Itapema, o Auditor Fiscal aposentado Eugênio Niesciur encontrou um novo propósito após mais de três décadas de trabalho na Secretaria da Fazenda de Santa Catarina. Desde 2020, ele e quatro amigos dividem a rotina em uma horta comunitária de 540 metros quadrados, que virou referência na cidade pela organização e pela variedade de cultivos.
A iniciativa começou de forma despretensiosa, pouco depois da aposentadoria que aconteceu em 2019. “Eu sou filho de agricultor, lá do interior do Rio Grande do Sul. Quando parei de trabalhar, quis voltar a mexer na terra”, conta. O terreno foi cedido pela proprietária mediante um contrato de comodato, e logo ganhou vida durante a pandemia em julho de 2020.
O grupo que hoje trabalha na horta é formado por dois ex-bancários, um médico aposentado e dois Auditores Fiscais, Eugênio e Jorge Luiz. Todos moram no mesmo edifício, a poucos metros da horta. A produção é farta: abóbora, couve, repolho, beterraba, alface de vários tipos, pimenta, pepino, radite, morango, cenoura, banana e mamão, entre outras, sendo tudo cultivado de maneira orgânica. “A gente planta de tudo um pouco e sem utilizar agrotóxicos ou adubo químico. E quando sobra, doa pros amigos e pessoas da comunidade”, resume.
O espaço também chama atenção pela criatividade. Há um pequeno sistema de irrigação que reaproveita água de um vizinho e caminhos formados com materiais de construção reciclados, como tábuas e ladrilhos. “A gente aproveita tudo, o que sobra das construtoras vira caminho entre os canteiros”, explica.
O projeto despertou o interesse da Prefeitura de Itapema, que fornece mudas e planeja ações com grupos em situação de vulnerabilidade. “Eles pediram pra levar pessoas em situação de vulnerabilidade, para aprender e incentivar a plantar, mexer com a terra também. Gostamos muito da ideia”, conta.
Entre uma colheita e outra, o clima é leve e colaborativo. O projeto se tornou um ponto de encontro entre os sócios e um exemplo de que a aposentadoria pode ser uma fase de novas descobertas e vínculos. “A gente planta pra comer, pra doar e pra se ocupar. No fim, todo mundo sai ganhando. Hoje eu venho pra cá de bermuda, chinelo e boné. É assim que quero viver: tranquilo, perto da terra e das pessoas”, afirma Eugênio.
Assessoria de Comunicação Sindifisco

