Governo afirma que ainda é cedo para medir efeitos das novas tarifas dos Estados Unidos (EUA) e atribui recuo das vendas ao mercado norte-americano principalmente às condições de oferta e demanda
A balança comercial brasileira de julho de 2026 registrou superávit de US$ 7,1 bilhões, 1% acima do resultado do mesmo período de 2025. O valor é resultado de US$ 34,1 bilhões em exportações e US$ 27,1 bilhões em importações. Na comparação com julho do ano passado, as exportações cresceram 6,2% e as importações avançaram 7,6%, elevando a corrente de comércio para US$ 61,2 bilhões, representando uma alta de 6,8% no período.
Durante a apresentação dos resultados, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, explicou que o desempenho das exportações em julho foi impulsionado principalmente pela valorização dos preços internacionais.
No período, os preços médios dos produtos exportados cresceram 10,8%. Já o volume embarcado teve 4,3% no volume. “O crescimento das exportações ocorreu apesar da redução do volume embarcado, compensada pelo aumento dos preços dos produtos vendidos ao exterior”, destacou Brandão. Nas importações, o comportamento foi semelhante: os preços aumentaram 12,1%, enquanto o volume recuou 3,2%.
No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as exportações brasileiras somam US$ 218,6 bilhões, crescimento de 10,5% frente ao mesmo período de 2025, enquanto as importações atingiram US$ 169,5 bilhões, alta de 5,5%. No acumulado de janeiro a julho deste ano, o saldo comercial chegou a US$ 49 bilhões, aumento de 31,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado mantém a trajetória de expansão do comércio exterior brasileiro em 2026, sustentada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa, da agropecuária e pelo fortalecimento das vendas ao mercado asiático.
Soja e petróleo
O crescimento das exportações foi observado nas três grandes categorias de produtos. A agropecuária avançou 9,3%, a indústria extrativa cresceu 10,8% e a indústria de transformação registrou alta de 2,4% em relação a julho de 2025.
Entre os produtos, a soja liderou as exportações, com crescimento de 17,4%, impulsionado tanto pelo aumento do volume quanto dos preços. Os óleos brutos de petróleo tiveram alta de 23,8%, refletindo a valorização dos preços internacionais. Também se destacaram os embarques de óleos combustíveis (+63%), celulose (+30,8%), ouro não monetário (+38,1%) e carnes de aves (+31,8%).
Em sentido contrário, houve retração nas exportações de açúcar (-30,1%), café não torrado (-21,8%), minério de ferro (-7,9%) e carne bovina (-5,8%).
EUA e Argentina reduzem importações
A China manteve a liderança entre os destinos das exportações brasileiras, respondendo por mais de 30% das vendas externas e registrando crescimento de 8,6% em julho. As exportações para a União Europeia aumentaram 3,9%, enquanto os embarques recuaram 5% para os Estados Unidos e 13,9% para a Argentina.
Já nos sete primeiros meses do ano, as vendas para a China cresceram 19,7%, alcançando US$ 69 bilhões, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram cerca de 11%. Já Estados Unidos e Argentina acumularam quedas de 12,2% e 18,6%, respectivamente.
Tarifaço americano
Sobre o impacto das novas tarifas impostas pelos EUA, Brandão afirmou que ainda não é possível relacionar o resultado de julho às medidas anunciadas pelo governo norte-americano. “Não é possível atribuir o movimento de julho à medida. Ela passou a vigorar plenamente apenas no dia 29 de julho”.
De acordo com o diretor, mesmo que tenha havido algum movimento de antecipação de embarques, uma conclusão definitiva dependerá de estudos específicos. “O principal determinante dos fluxos comerciais continua sendo a oferta e a demanda dos mercados. As intervenções podem afetar o comércio, mas cada produto tem uma dinâmica própria”, disse Brandão.
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução das exportações aos EUA no acumulado do ano estão petróleo bruto, café não torrado, sucos de frutas e produtos siderúrgicos. No caso do aço, Brandão lembrou que o fim das cotas de exportação brasileiras e a elevação das tarifas norte-americanas para 50% afetaram diretamente os embarques do setor.
Alta de combustíveis e bens
As importações cresceram principalmente em razão das compras de combustíveis (+37%), bens de consumo (+13%) e bens de capital (+9,4%). Entre os produtos que mais avançaram, destacam-se óleos combustíveis, petróleo bruto, medicamentos, fertilizantes e componentes eletrônicos.
No acumulado do ano, cresceram as importações de bens de capital (6,3%), bens de consumo (25,4%) e combustíveis (14,5%), enquanto os bens intermediários recuaram 1,2%.
Mercosul-União Europeia
Sobre os primeiros efeitos do acordo entre Mercosul e a União Europeia, Brandão afirmou que ainda não há dados suficientes para medir seu impacto sobre o comércio brasileiro. “Ainda é cedo para avaliar esse efeito. É esperado que a redução de custos proporcionada pelo acordo impulsione o comércio, mas isso precisa ser observado ao longo do tempo”, afirmou o diretor.
Pequenas empresas
Ao responder pergunta do Diário do Comércio sobre a participação das micro, pequenas e médias empresas nas exportações, o diretor afirmou que esse grupo vem ampliando a presença no comércio exterior. “A participação em valor ainda é baixa, mas o número de pequenas e médias empresas no comércio exterior vem crescendo, assim como sua distribuição regional”. De acordo com o MDIC, a análise detalhada sobre o perfil das empresas exportadoras será apresentada no próximo relatório anual da pasta.

