A pujança catarinense
Em tempos de campanhas eleitorais, candidatos, para angariar adeptos, lançam nas mídias informações que divergem da realidade. Há chutes grosseiros, seja por má-fé ou por ignorância, nem sempre percebidos, principalmente nas entrevistas. Mesmo com “pontos de escuta”, prevalecem mentiras como se verdades fossem. Mas o que se vai discorrer foge dessa “armadilha”. O assunto é o ranking da competitividade entre os Estados e o Distrito Federal. A liderança, após 14 anos ininterruptos, mudou de mãos, saindo de SP, apelidado de “locomotiva do Brasil”, para SC, outrora “zero da BR-101”, por estar entre RS e PR. São analisados 10 pilares, e o Estado conquistou os quatro primeiros lugares em Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social, além de avançar nos demais, como Educação, Inovação e Eficiência da Máquina Pública.
Fazenda e Planejamento
Esses quesitos, considerados em cada ente, geram os índices que formam o ranking. Uma demonstração de que, em maior ou menor grau, todos evoluem. Como os Estados que estão na linha de frente seguem crescendo, torna-se complicada a ultrapassagem. Por aqui, o esforço protagonizado em 2011, quando ocupou a 7ª posição, ensejou, posteriormente, a formação de um grupo de trabalho das secretarias de Fazenda e Planejamento para melhorar os indicadores, resultando, em 2015, no 3º posto e, a partir de 2017, na 2ª posição. De acordo com o secretário da Fazenda Cleverson Siewert, “deu-se a passagem por causa dos investimentos públicos, saneamento das contas, recuperação da capacidade de investimento público, atração de investimentos privados e outros.”
Razões do sucesso
E prossegue: “O resultado obtido traduz a realidade da economia e do desenvolvimento social de SC. Nos últimos 10 anos, o Estado atraiu mais de 500 mil migrantes. Essas pessoas vieram buscar emprego, renda, qualidade de vida e educação, o que SC consegue entregar e aparece nos pilares do ranking”, conclui.
E o Brasil?
Embora as partes formem o todo, a realidade dos Estados não coaduna com a do país. Os índices apresentados estão distantes dos de primeiro mundo. Nesse mesmo período, quando se apreciam os indicadores do ranking mundial de competitividade, os fatos não animam. Em 2010, quando o indicador apontava 58 países a serem avaliados em diversos pilares, o Brasil estava na posição 38, ao lado de Portugal. Passado esse tempo e aumentando para 70 o número de países avaliados, caímos para o 65º lugar, nivelados com Namíbia e Nigéria, países extremamente carentes, enquanto o vizinho Portugal permanece na posição 40. Caberá aos gestores do futuro esquecer a torcida, que é efêmera, encarando os cidadãos aflitos em busca de trabalho para obtenção de sucesso.
Refletindo
“Segredo: alcançar o topo na competitividade sem aumentar impostos”. Ótima semana!
Por Pedro Hermínio Maria – Auditor Fiscal aposentado da Receita Estadual de SC
“Este é um artigo de opinião, cujo teor é de inteira responsabilidade do autor, e não expressa necessariamente a opinião desta entidade, não sendo, portanto, por ela endossado.”
