Ata da reunião de setembro aponta desaceleração gradual da economia, mas destaca expectativas de inflação acima da meta e necessidade de manter política monetária restritiva
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) avalia que a economia brasileira passa por uma moderação gradual, mas ainda enfrenta riscos inflacionários elevados, o que exige a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo. A avaliação consta na ata da 281ª reunião do colegiado, realizada em 15 e 16 de setembro e divulgada nesta terça-feira (22/9).
Na reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano. A ata, porém, destaca que a condução dos juros continuará condicionada à evolução da inflação, das expectativas e da atividade econômica.
No cenário doméstico, o Comitê identificou sinais de desaceleração da atividade, principalmente nos setores e componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico e aos juros. Segundo a ata, esse movimento também aparece nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2026.
O mercado de trabalho continua apresentando desemprego em patamares historicamente baixos, mas o BC observou uma desaceleração marginal no ritmo de crescimento da ocupação e dos rendimentos. No crédito, houve redução nas concessões de linhas de longo prazo no segmento livre, enquanto o crédito direcionado continuou em expansão.
Apesar da perda de ritmo da atividade, o Comitê avalia que a inflação ainda não convergiu para a meta. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram nos últimos 12 meses e ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas permanecem acima da meta. Ao mesmo tempo, os preços ao produtor registraram aceleração.
O Banco Central lembrou que as projeções coletadas pelo Boletim Focus estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, acima da meta de inflação. No cenário de referência utilizado pelo Copom, as projeções para a inflação são de 5,2% em 2026 e 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária, a estimativa é de 3,2%.
Para chegar às projeções, o colegiado considerou uma taxa de câmbio inicial de R$ 5,15 por dólar, trajetória para a Selic baseada na pesquisa Focus, preços futuros do petróleo Brent e a hipótese de bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026.

