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Volume de encomendas salta 74% em um ano; indústria nacional alerta para concorrência desleal e pede isonomia tributária para proteger empregos

As compras em sites internacionais dispararam após o fim da “taxa das blusinhas”, como era chamado o imposto de 20% sobre importações de até US$ 50. A medida, que zerou o tributo em maio, elevou o volume de encomendas de uma média de 15,4 milhões para 20 milhões já no primeiro mês.

O número continuou a crescer, atingindo 28 milhões em junho e se estabilizando acima de 26 milhões em julho e agosto. Em valores, as compras passaram de uma média de US$ 308 milhões mensais, entre janeiro e abril, para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes, segundo dados do programa Remessa Conforme.

Os levantamentos foram compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que representa um dos setores mais afetados pela concorrência de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.

A comparação anual evidencia o crescimento. No mês passado, foram 26,5 milhões de remessas declaradas, um volume 74% superior aos 15,2 milhões registrados em agosto do ano anterior. O valor das compras saltou de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, uma alta de 79% no mesmo período.

Indústria nacional cobra isonomia

A Abit utiliza os dados para cobrar equivalência tributária e regulatória entre os produtos nacionais e os importados. A associação afirma que a indústria brasileira compete com mercadorias que recebem tratamento fiscal mais favorável e não seguem as mesmas normas trabalhistas, ambientais e de segurança.

“Essa assimetria já cobra um preço elevado. O aumento das remessas soma-se à forte expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno”, comenta a entidade.

Como resultado, a produção nacional apresenta queda, com eliminação de empregos e adiamento de investimentos. A associação cita dados do IBGE de julho, que apontam recuo de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na de confecção em relação ao mesmo mês do ano passado.

“Não é razoável oferecer ao produto estrangeiro vantagens que não são asseguradas a quem produz e emprega no país”, ressalta a Abit. A entidade conclui que o Brasil caminha na direção contrária a outras economias, que reforçam a fiscalização para proteger suas indústrias.

Via Correio Braziliense