Pleito encerrado, vida que segue
Após longos dias de propagandas, com intervalo entre os dois turnos, finalmente chegou ao fim a discussão, o bate-boca de boteco, como queiram, pois propostas concretas às realidades da população mesmo ficaram distantes. A maioria aconteceu no campo econômico/das políticas públicas, como os “benefícios fiscais” a pessoas jurídicas e físicas. Focava-se nas derrapadas e fragilidades de comunicação do adversário, devidamente estudado pelos profissionais. Só piorou o cenário quando os debates puseram os candidatos frente a frente, sob a intervenção do mediador (juiz de ringue) para acalmar os ânimos e obrigá-los a retomar o tema. Virada a página, enquanto um “recolhe-se” analisando os erros, o vencedor segue alinhando as estratégias para cumprir o prometido.
Da cartola
Não poderá Lula impor ao antecessor os insucessos chamados de “herança maldita”, como fez com FHC e Bolsonaro. Sem desculpas, restará torcer para que a economia chegue a patamares atrativos e, assim, honrar as promessas, evitando que a vitória seja como a de Pirro. Esclarecendo: narra a história que Pirro do Épiro, rei grego do século III a.C., venceu muitas batalhas, mas seu exército ficou tão devastado que, vendo o que sobrou, exausto, disse: “Mais uma vitória como esta e estaremos completamente arruinados.” Não é o desejo, pois se navega no mesmo oceano, mas se torce para que as alternativas sejam viáveis e duradouras, nem que se tenha de tirar da “cartola”, pois é vida que segue.
Tributária
A frase abaixo atualiza as circunstâncias da reforma tributária: “Procrastinação na regulamentação e disputa eleitoral ameaçam cronograma e correm o risco de criar um rombo fiscal com o Imposto Seletivo.” Uma inércia na regulamentação em se tratando da Emenda Constitucional 132, de 2023. Pois é, nada avançou nesse período, talvez para medir a febre de que os percentuais das alíquotas para atenderem aos déficits tenham que ser antipáticos. Em período eleitoral, nem pensar.
Salvação
A conferir nos próximos dias: se a alíquota do IBS chegar à casa dos 18% e a da CBS em 10%, totalizando 28%, será uma das mais caras do mundo. Especula-se que a alíquota do Imposto Seletivo (IS, imposto do pecado, que envolve saúde pública e ambiental) para bebidas açucaradas atingiria 32%, enquanto para cigarros o pico seria de 250%. Há o agravante de que, por descumprir o prazo, não poderá cobrar em janeiro próximo, gerando um buraco de bilhões de reais no caixa já desfigurado, apresentando rombo superior a 82 bilhões de reais. Caberá ao Congresso a tarefa de encontrar alíquotas de salvação.
Refletindo
“A política defende o rumo de uma nação, não o seu destino individual: então, vá à luta.” Uma ótima semana!
Por Pedro Hermínio Maria – Auditor Fiscal aposentado da Receita Estadual de SC
“Este é um artigo de opinião, cujo teor é de inteira responsabilidade do autor, e não expressa necessariamente a opinião desta entidade, não sendo, portanto, por ela endossado.”
