No primeiro relatório Focus com agentes já precificando o novo mandato de Lula, as apostas para uma estabilização dos juros antes do final de 2026 ficaram mais evidentes.
O mercado financeiro voltou a apostar em uma taxa de juros de 13,5% ao ano, após a estimativa ter recuado para 13,25% depois do primeiro turno das eleições. Passado o período eleitoral, com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que causou surpresa para a maioria dos investidores, os agentes voltaram a precificar o cenário de mais quatro anos com o petista no poder e revisaram as projeções para a economia ainda em 2026.
No relatório Focus publicado nesta terça-feira (3/11), o primeiro após o mercado ter digerido a vitória de Lula, a maioria das casas de investimento aposta em somente mais um corte da taxa básica de juros em 2026. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, em trajetória decrescente desde a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado se reúne novamente nesta terça e quarta-feira (4) para decidir sobre o futuro dos juros.
Além da taxa em si, os investidores devem ficar mais atentos ao comunicado que será emitido pelo Banco Central, que pode sinalizar os próximos movimentos em relação aos juros no país, também pressionados pelas taxas futuras utilizadas pelos bancos, em alta desde a semana anterior. Segundo o Focus, a maioria ainda espera uma queda de 0,25 ponto percentual nesta reunião e o encerramento do ciclo de cortes no último encontro do ano, marcado para os dias 8 e 9 de dezembro.
A mediana das projeções para a Selic também subiu em todo o horizonte do relatório. Para 2027, o mercado espera uma taxa de juros de 12,5% ao ano, ante uma estimativa de 11,75% ao ano até a semana anterior. Nos anos seguintes, 2028 e 2029, as apostas subiram para 11% e 10,25%, respectivamente.
Inflação mais alta
A revisão das projeções para a Selic está em linha com o aumento das estimativas para a inflação oficial, que deve seguir pressionando os juros nos próximos anos, na avaliação dos agentes. Em todo o horizonte, houve ajustes para cima no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve fechar 2026 em 5,22%, ante 5,19% na previsão anterior.
Para 2027, até o último Focus, o mercado previa uma inflação abaixo do teto da meta, de 4,5%. No entanto, a projeção deu um salto expressivo neste relatório, de 4,34% para 4,76%. Também houve uma revisão mais forte para 2028, de 3,75% para 4%. Os agentes não esperam que o IPCA volte ao centro da meta, de 3%, até o final de 2029.
Dólar e PIB
Com a disparada do câmbio na semana anterior, também houve um salto expressivo nas estimativas para o valor do dólar comercial em 2026 e nos anos seguintes. Até antes do segundo turno, a moeda norte-americana oscilava próxima dos R$ 5. A partir da última segunda-feira (27), no entanto, a divisa chegou a bater R$ 5,60 e encerrou a semana pós-eleições a R$ 5,44.
No relatório Focus desta segunda-feira (3), o mercado elevou de R$ 5,05 para R$ 5,34 a projeção para o dólar em 2026 e de R$ 5,15 para R$ 5,40 no ano seguinte. Também houve revisão das estimativas para 2028 e 2029, que chegaram a R$ 5,40 e R$ 5,45, respectivamente.
Na atividade econômica, houve queda da projeção para o PIB em 2026 e nos dois anos seguintes. Para este ano, os agentes esperam um crescimento de apenas 1,76%, ao passo que o ritmo deve desacelerar ainda mais em 2027, com um avanço modesto de 1,2%. Para o ano seguinte, o mercado prevê também um resultado mais fraco, de 1,8%.
