Indicador do Banco Central, acompanhado pela Fiesc, confirma tendência de resultados mais difíceis para a economia de SC
O Índice de Atividade Econômica de Santa Catarina (IBCR-SC), apurado pelo Banco Central e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve queda de 1,3% em julho frente ao mês anterior, após seis meses de crescimento consecutivo nessa comparação. A Federação das Indústrias do estado (Fiesc) que acompanha de perto esse indicador, destacou que essa foi a maior retração desde abril de 2025, quando esse índice caiu 2,2%.
O resultado de Santa Catarina do mês de julho ficou abaixo da média brasileira, que recuou 0,2% no mesmo período.
O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, avalia que esse recuo resulta de impacto de longo processo de desaceleração causado pela elevada taxa básica de juros que vem limitando o crédito na economia do país.
“O juro alto dificulta o acesso ao crédito, não só para as indústrias que querem investir, mas também para as famílias, com impactos no consumo”, explica Gilberto Seleme.
Essa variação negativa de julho em SC resultou da média dos desempenhos do volume de negócios de três importantes setores econômicos. O comércio varejista ampliado recuou 1,2%, os serviços caíram 0,9% e a indústria ficou estável, com recuo de 0,02%.
Mas nem todos os números da prévia do PIB de SC foram negativos. Na comparação com igual período do ano anterior, o estado teve alta de 1,6% e no acumulado de 12 meses teve essa mesma variação. Apesar disso, o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, analisa que os dados têm mostrado tendência de retração da produção no estado.
“O avanço do comércio e dos serviços, mais moderados do que no passado recente, contrasta com o desempenho contido da indústria. O endividamento das famílias e a manutenção da Selic em patamares elevados continuarão a limitar o crescimento da economia de SC a taxa próxima a 2% até o final do ano”, afirma Pablo Bittencourt.
A prévia do PIB é um indicador do Banco Central que considera variações da indústria, comércio, serviços, agropecuária e impostos. Visa informar, num prazo menor, a tendência da economia do país que, mais tarde, tem os dados consolidados no PIB oficial que sai a cada trimestre.
Os dados das pesquisas do IBGE sobre esses setores mostram subidas e quedas, conforme cada setor é impactado pelos juros altos no mercado interno e o tarifaço dos Estados Unidos no exterior.
O setor que mais está sofrendo com esses dois cenários em Santa Catarina é o moveleiro. Segundo a pesquisa do IBGE sobre a indústria, a produção de móveis caiu 10,2% em julho frente ao mesmo mês de 2025 e as vendas de móveis no mercado catarinense caíram 9,1% no mesmo mês na comparação com julho do ano passado, mostrou a pesquisa do instituto sobre o comércio.
Via NSCTotal

