A carne brasileira na China atingiu o limite anual previsto pelo governo chinês, e os embarques que ultrapassarem a cota passarão a ter uma cobrança adicional a partir de outubro
A carne brasileira na China atingiu o limite de exportação estabelecido para 2026. Com a cota esgotada, os embarques que ultrapassarem o volume permitido passarão a pagar uma tarifa adicional de 55% a partir de 1º de outubro, aumentando o custo para as empresas brasileiras.
O Brasil chegou a 100% da cota nesta terça-feira (29), com limite de 1,106 milhão de toneladas. Para o volume que exceder esse limite, a cobrança adicional será somada à tarifa normal de 12%, levando o total dos impostos de importação para 67%.
China limita entrada de carne brasileira
De acordo com o Departamento de Recursos Comerciais do Ministério do Comércio da China, a medida faz parte de uma salvaguarda criada pela China para proteger o mercado de carne bovina do país. A regra não vale apenas para o Brasil: outros grandes fornecedores também têm limites próprios de exportação. Dentro da cota, continua valendo a tarifa de importação de 12%. Já a carne que ultrapassar o limite brasileiro terá os 55% adicionais.
A China é um dos principais mercados para a carne bovina brasileira, por isso a nova cobrança pode dificultar o envio de volumes maiores ao país asiático. Em maio, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) estimou que as exportações brasileiras poderiam cair 10% em 2026 devido às restrições chinesas.
O que pode acontecer com o preço da carne
O impacto para o consumidor brasileiro ainda depende do destino da produção que eventualmente deixar de ser enviada à China. Se parte dessa carne permanecer no Brasil, o aumento da oferta pode pressionar os preços para baixo.
Se os frigoríficos encontrarem outros compradores no exterior, o efeito sobre o mercado nacional pode ser menor. Por isso, o esgotamento da cota chinesa não significa automaticamente que a carne ficará mais barata ou mais cara no país.
Brasil tenta encontrar alternativa
O governo brasileiro busca uma forma de ampliar o espaço para suas exportações. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai havia autorizado o Brasil a utilizar parte de sua cota de carne bovina destinada à China.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, porém, a China não havia concordado em permitir o uso dessa cota pelo Brasil. O Ministério do Comércio chinês também não havia se manifestado publicamente sobre o pedido. Para 2027, a cota brasileira prevista pela China sobe para 1,128 milhão de toneladas.
Via NDmais

