A inadimplência das famílias catarinenses recuou em julho de 2026, enquanto o nível de endividamento atingiu o maior patamar da série recente. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em parceria com a Fecomércio SC, o percentual de famílias com contas em atraso passou de 25,4% em junho para 23,6% em julho, uma redução de 1,8 ponto percentual. Na comparação com julho do ano passado, a queda foi de 5 pontos percentuais. O índice catarinense também ficou abaixo da média nacional, de 29,8%, e próximo da média histórica estadual, de 22%.
No sentido oposto, o percentual de famílias endividadas subiu de 76,3% para 76,9%, alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 5,1 pontos em 12 meses. Em relação a fevereiro de 2020, período utilizado como referência pré-pandemia, o avanço acumulado chega a 10,9 pontos percentuais. Mesmo com o crescimento, Santa Catarina permanece abaixo da média brasileira, que alcançou 82% em julho, sexto recorde consecutivo da série nacional. Entre as famílias catarinenses endividadas, o comprometimento médio da renda com dívidas foi de 29,9%, enquanto o atraso médio das contas chegou a 62,6 dias.
A parcela das famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso também apresentou redução, passando de 9,9% em junho para 9,5% em julho. O indicador, porém, ficou 1,5 ponto percentual acima do registrado no mesmo mês de 2025. Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o recuo da inadimplência representa um sinal positivo, embora o custo do crédito continue sendo uma preocupação. “A queda da inadimplência é salutar e demonstra maior capacidade de organização financeira das famílias. A expectativa da Fecomércio é de que os juros sigam em trajetória de queda”, afirmou.
A composição das dívidas também apresentou mudanças ao longo dos últimos 12 meses. O cartão de crédito continuou como principal modalidade, presente em 69,6% das famílias endividadas, mas caiu 8,2 pontos percentuais em relação a julho de 2025. Os carnês ficaram em segundo lugar, com participação de 25,4%, recuo de 7,4 pontos no período. Já o crédito consignado avançou 5,2 pontos, alcançando 10,7%, enquanto o financiamento de veículos passou de 15% para 17%. Os dados indicam uma alteração no perfil do endividamento catarinense, com redução da participação de modalidades como cartão e carnês e maior presença de linhas de crédito consideradas mais estruturadas.
Via SC em Pauta

