Setor produtivo cobra isonomia tributária porque já está sendo obrigado a fechar postos de trabalho
Enquanto o governo federal e o Congresso Nacional, pressionados por diversos lados, adiam a decisão de tributar compras de importados de até US$ 50 por meio de plataformas digitais, o setor produtivo cobra isonomia tributária porque já está sendo obrigado a fechar postos de trabalho. A vice-presidente da Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc) e diretora da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Rita Conti, diz que empresas de SC estão recebendo menos pedidos e reduzindo vagas.
Segundo ela, as empresas mais afetadas são as que fabricam confecções para grandes varejistas de moda que têm 200 ou 300 lojas no Brasil. Ela cita o exemplo de uma empresa do Vale do Itajaí, produtora para esse segmento de private label, que no ano passado empregava 1.200 pessoas, teve que reduzir para 800 e, para este ano, acredita que pode manter, no máximo, 450 empregos.
– Essa é uma questão muito séria. Me dá a impressão de que o governo não consegue ver que precisamos de isonomia tributária. Não estamos mais pedindo para tributar até US$ 50. Se não querem tributar, que tenhamos isonomia, isto é, que as vendas brasileiras também até esse valor (cerca de R$ 250 reais) não sejam tributadas – destaca Rita Conti, que também tem indústria no setor têxtil e confecções.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Fernando Pimentel, também alerta sobre a perda de empregos. Segundo ele, o setor emprega formalmente 1,3 milhão de pessoas e 70% são mulheres. No ano passado, o setor fechou 20 mil postos de trabalho e reduziu em 7% a produção. São as plataformas de importados impactando no mercado nacional.
As grandes varejistas de moda do Brasil também unem forças na cobrança pela isonomia tributária. Alertam que os mais prejudicados são os mais pobres, que perdem empregos e benefícios sociais enquanto as compras nas plataformas são feitas principalmente por pessoas com renda acima de R$ 8 mil por mês, apurou pesquisa da CNI. Está na hora de os políticos olharem para a realidade do mercado e não para os planos das urnas.
Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti

