Indústrias de Joinville e São Bento do Sul já avaliam reprogramações logísticas e renegociação de contratos para driblar tarifaço dos EUA
O aumento das tarifas de importação dos EUA para 50% preocupa a indústria do Norte catarinense, que reúne polos exportadores como o metalmecânico de Joinville e o moveleiro de São Bento do Sul.
As duas cidades têm os EUA como principal destino de exportações. Em 2024, São Bento somou US$ 81,9 milhões em vendas externas de móveis, sendo US$ 45,5 milhões só para o mercado americano.
Como o tarifaço impacta na prática?
Conforme explica Gabriel Weihermann, presidente da ACISBS (Associação Empresarial de São Bento do Sul), as tarifas incidem sobre o valor do produto exportado e não diretamente sobre o custo de produção. O efeito prático é que o produto chega ao consumidor americano até 50% mais caro.
“Dependendo da estrutura de preços e contratos, as indústrias podem ter que absorver parte desse custo para manter o cliente, reduzindo sua margem de lucro”, afirmou.
Nesse sentido, a medida afeta a diretamente competitividade dos móveis brasileiros no mercado americano. Principalmente do setor moveleiro de São Bento do Sul, um dos principais polos exportadores do país.
“Em termos internacionais, países não sujeitos a tarifas semelhantes ganham vantagem, podendo ocupar parte do espaço antes atendido pelo Brasil”, compartilhou.
Possíveis estratégias
Weihermann diz que as principais estratégias em análise e implementação incluem uma atuação institucional, articulação junto com entidades de classe, poder público e órgãos internacionais para buscar soluções diplomáticas ou alternativas tributárias.
Além disso, aponta como possibilidade a renegociação contratual, buscando condições com o cliente para compartilhar o impacto tarifário ou ajustar preços. A diversificação de mercados, para maior presença em outros países ou regiões não afetadas pelas tarifas também se torna importante.
“Assim como negociações com o governo local, buscando linhas de crédito subsidiadas e liberação de créditos tributários, visando o fortalecimento do caixa das empresas”, complementou.
Em Joinville, principais polos exportadores também podem ser afetados
O NNI (Núcleo de Negócios Internacionais) da Acij (Associação Empresarial de Joinville) também vem acompanhando com preocupação os impactos do tarifaço do governo Trump.
A medida afeta diretamente a indústria exportadora de Joinville, com destaque para os setores metalmecânico, autopeças, elétrico, têxtil, plásticos e químico.
Ainda, conforme a associação, há preocupação crescente com relação a contratos futuros, especialmente em setores com forte dependência dos EUA.
A análise da vice-presidente do Núcleo, Carolina Botelho, vai ao encontro da avaliação de Gabriel Weihermann. Ela destaca que o aumento tarifário encarece o produto brasileiro no destino final e as taxas tornam o produto brasileiro menos competitivo frente a fornecedores de outros países.
“Isso pode resultar em redução de pedidos, perda de contratos, necessidade de revisão de estratégias comerciais por parte das empresas e até impacto no nível de emprego”, afirma Carolina.
Indústrias iniciam reprogramações na exportação entre filiais e avaliam exceções tarifárias dos EUA para evitar prejuízos
Empresas com matriz ou filiais nos Estados Unidos, incluindo grupos industriais com atuação em Joinville, já iniciaram reprogramações nas operações de exportação intercompany, que é a venda de produtos entre unidades da mesma empresa localizadas em países diferentes.
“É importante destacar que o governo norte-americano divulgou uma lista de exceção tarifária, da qual diversos produtos brasileiros fazem parte”, lembra Carolina.
O Núcleo de Negócios Internacionais recomenda que as empresas verifiquem se seus produtos estão contemplados nessa lista, a fim de evitar decisões precipitadas e prejuízos evitáveis.
Via ND+

