• Medida inclui materiais elétricos, ferramentas, autopeças e refrigeradores
  • Governo afirma que mudança reduz burocracia para empresas em meio à transição da reforma tributária

O governo de São Paulo retirou mais 174 produtos do regime de substituição tributária (ST) do ICMS, que tem a cobrança antecipada do imposto. A mudança passa a valer em outubro e contempla itens como materiais elétricos, ferramentas, autopeças e refrigeradores.

A medida, publicada em portaria da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo) nesta terça-feira (30), integra o programa “São Paulo na Direção Certa”, conjunto de ações do governo estadual voltado à redução de burocracia e à melhoria do ambiente de negócios.

Com a nova rodada, quase dois terços dos produtos que antes estavam sujeitos à substituição tributária já foram retirados do regime, segundo a secretaria.

Na substituição tributária, o recolhimento do ICMS é concentrado em um dos primeiros elos da cadeia produtiva, normalmente o fabricante ou o importador, que antecipa o pagamento do imposto devido nas etapas seguintes de comercialização. Quando o valor pago supera o efetivamente devido, as empresas podem pedir o ressarcimento da diferença ou utilizar créditos tributários.

Foi esse mecanismo que passou a atrair a atenção do Ministério Público de São Paulo. Na Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025, promotores investigam suposto esquema de fraudes na obtenção de créditos de ICMS decorrentes da substituição tributária. Segundo a investigação, empresas e escritórios de consultoria tributária, com auxílio de auditores fiscais da Sefaz-SP, teriam inflado artificialmente pedidos de ressarcimento e compensações fiscais por meio da manipulação de documentos e operações comerciais, causando prejuízo milionário aos cofres públicos. O escândalo fez São Paulo mudar normas de ressarcimento de créditos do ICMS.

O modelo de substituição tributária foi adotado pelos estados para reduzir a sonegação e facilitar a fiscalização, mas há anos é alvo de críticas de empresas, que apontam aumento da complexidade tributária, necessidade de capital de giro e dificuldades para recuperar créditos.

Segundo a Sefaz-SP, a retirada gradual dos produtos da ST busca simplificar o cumprimento das obrigações fiscais e preparar o estado para a implementação da reforma tributária.

A reforma aprovada pelo Congresso prevê a substituição gradual do ICMS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), modelo que não contempla o atual regime de substituição tributária. Para o governo paulista, a revisão das listas de produtos sujeitos à ST antecipa a adaptação das empresas ao novo sistema.

Outro argumento apresentado pela gestão estadual é a redução de custos administrativos. Em março deste ano, a secretaria diminuiu de 24 para 12 meses o prazo para devolução de créditos relativos a estoques afetados pelas alterações no regime tributário.

A medida beneficia principalmente segmentos industriais e atacadistas que operam com grande variedade de produtos. O impacto sobre o consumidor dependerá da forma como as empresas repassarão eventuais reduções de custos ao preço final.

A Sefaz-SP não divulgou estimativa do impacto da mudança sobre a arrecadação estadual nem o número de empresas diretamente beneficiadas.

Via Folha de São Paulo