As lições da Copa
Rememorando histórias sobre as Copas, deparei com uma crônica de 1982 escrita por Carlos Drummond de Andrade e disponibilizada no Grupo de Gestão Fazendária – GDFAZ. Para quem se recorda, uma das melhores seleções foi surpreendida pela Itália faltando pouco para conquistar o quarto campeonato. Intitulada: “Perder, ganhar, viver”, a crônica faz uma descrição minuciosa das lamúrias, perpassando por todos os segmentos da sociedade, tal qual ocorreu no último domingo. A comparação fica pelas circunstâncias do momento, embora passados quase meio século (44 anos), e os autores no tablado de melhores condições, porém sem o devido traquejo para nele se exibir. No campo fiscal, dívida externa e déficit público altos e a carga tributária em torno de 26% do PIB. Atualmente, as despesas governamentais fugindo do controle e uma das maiores cargas da história, 32,4% do PIB.
Os compromissos
Evitando polemizar sobre as desastrosas gestões do “pão e circo” no campo futebolístico, a crônica parece atual ao se referir à classe política, mencionando os lados: a situação, aturdida por malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral, e as oposições divididas (como sempre), perplexas diante da catástrofe que levará, talvez, o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições. E segue com a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos, que esperavam a conquista do campeonato. Independentemente dos resultados, os compromissos e prazos seguem. Imagine a perda de faturamento do conhecido Zé das Bandeiras, que, certamente, dispõe de outros produtos a serem oferecidos nas ruas e avenidas de Tubarão.
E por último
Drummond conclui que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Perder implica remoção de detritos: e a lição, começar de novo.
Impacto da Reforma
A vigorar em janeiro de 2027, a Reforma Tributária acende alerta, não somente em relação à própria lei, mas na dificuldade de adaptação das empresas nas operações. Há quem entenda que o atraso na revisão de processos pode elevar custos e reduzir créditos tributários em 27%, segundo pesquisa. Outros temem erros de apuração e autuações fiscais e, ainda, dificuldades na integração de sistemas. Para o contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, o impacto vai além da área e afirma: “A empresa precisa revisar como compra, como contrata, como registra e como se relaciona com fornecedores. O impacto não fica restrito ao cálculo do imposto. Ele chega ao custo, à margem e à capacidade de competir”.
Refletindo
“Futebol é uma caixa de surpresas. O resultado só se sabe no fim”. Lindomar Tournier, aos 104 anos, vivenciando todas as Copas. Ótima semana!
Por Pedro Hermínio Maria – Auditor Fiscal aposentado da Receita Estadual de SC
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