O governo dos Estados Unidos anunciou nova taxa de 12,5% para 3 mil produtos brasileiros a partir desta sexta-feira sob o argumento de “trabalho forçado”, definindo assim o segundo tarifaço contra o Brasil em 37,5%. Isso porque já adotou taxa de 25% quarta, com base em lei sobre prática ilegal de comércio.
Diferente do primeiro tarifaço, de 50%, que foi derrubado pela Suprema Corte, este poderá ser mais longevo por ser baseado na lei comercial, mas pode ser reduzido ou revertido via negociação.
Apesar da base diferente, também é uma decisão política do presidente Donald Trump de taxar importações com o argumento de reindustrializar a economia americana.
Nesta quinta-feira, a ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve (Fed), do banco central do país Janet Yellen, afirmou, em São Paulo, onde participou da Expert XP, que essa decisão de elevar tarifas reflete as “próprias visões pessoais de longa data” de Trump. Não é um diagnóstico econômico consolidado no país.
Essa declaração de Yellen reforça a conclusão de que é uma decisão política. Confirma que o Brasil está sendo mais penalizado que outros países por ter um governo de esquerda e por políticos da direita terem levado a Trump problemas da bipolaridade partidária local.
Mas as taxações contra produtos do Brasil devem continuar até que os governos dos dois países façam um acordo, o que pode demorar mais de dois anos caso isso seja negociado somente pelo sucessor de Trump.
É claro que o escritório de comércio dos Estados Unidos está investigando práticas comerciais de mais de 80 países para adotar a taxa de 25%. Mas chama a atenção que o Brasil é o primeiro a ser punido.
Esse é um obstáculo que afeta fortemente a economia de Santa Catarina porque o estado vende principalmente produtos industriais ao mercado americano, que é um dos que pagam melhor.
Somado este tarifaço com a taxa de 25% aplicada ano passado, um estudo da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) apurou que 94,5% da receita de exportações catarinenses aos EUA sofre impacto de tributação maior.
Os desafios dos diversos setores empresariais é buscar soluções, que podem ser a negociação de preços e compartilhamento dos custos das taxas. Mas isso nem sempre é possível e empresas estão perdendo vendas.
Alguns setores estão conseguindo colocar produtos em outros mercados, mas nem todos. Os fabricantes de itens de madeira para a construção civil e móveis são os que estão enfrentando maiores dificuldades para superar essa crise gerada pelos tarifaços dos Estados Unidos.
Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti

