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Conforme dados do IBGE, o volume de serviços em julho teve variação de 0%, na comparação com o mês anterior, quando o segmento teve variação positiva de 0,1%, confirmando o processo de desaceleração da economia

O setor de serviços no Brasil — que é o que mais emprega e tem maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) –, andou de lado no mês de julho confirmando a continuidade do processo de desaceleração da economia. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira (10/9), o segmento teve variação de 0%, na comparação com o mês anterior, quando havia registrado alta ligeira de 0,1%. 

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, e esse resultado estável de julho, segundo órgão ligado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o setor de serviços encontra-se 20% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e fica 0,2% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

A variação nula do volume de serviços na margem (ou seja, na comparação com mês anterior), contudo, mostrou maior disseminação de taxas positivas entre os setores, com avanço em quatro das cinco atividades divulgadas, segundo o IBGE. Entre os principais avanços da PMS, destacam-se o setor de transportes, com alta de 0,4% em relação ao mês anterior, impulsionado com o avanço do turismo das férias escolares no mês; e o dos serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 0,6%, na mesma base de comparação.

Conforme os dados da pesquisa, o setor de transportes contabilizou um ligeiro avanço após ter ficado estável em junho; e setor de serviços profissionais e administrativos recuperou a perda observada no mês anterior, de 1,3%. As demais expansões vieram dos outros serviços (0,7%) e dos serviços prestados às famílias (0,5%). Em contrapartida, o setor de informação e comunicação, com queda de 2,5%, mostrou o único recuo de julho, devolvendo parte do crescimento de 3,3% acumulado entre abril e junho. Apenas em junho, a variação positiva foi de 2,2%.

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, lembrou que o setor de serviços recuou 0,2% em maio, antes de crescer 0,1% em junho e ao ficar estável em julho, e, por conta disso, o segmento está “andando de lado”. “Quando se expande o horizonte de análise, o setor notamos que o setor está, na verdade, praticamente no mesmo patamar do quarto trimestre do ano passado. Dito isso, nos parece que, com exceção de algumas atividades em específico, por exemplo, serviços de informação e comunicação, o setor está em processo de acomodação”, avaliou.

Pelas estimativas de Leal, o desempenho do setor de serviços no terceiro trimestre deve seguir com variação nula. “Em suma, os dados recentes têm corroborado a percepção de que a economia brasileira está desacelerando de forma gradual”, acrescentou. 

De acordo com relatório do Itaú Unibanco, uma das surepresas da pesquisa foi a receita do setor de serviços, que ficou abaixo do esperado pelos economistas da instituição, além da queda concentrada no segmento de serviços de informação e comunicação, que contraiu 2,5% na margem e 4,6% na comparação anual. “Apesar do resultado abaixo do esperado, os componentes de maior peso no monitoramento do PIB vieram, de modo geral, em linha com as nossas projeções. Portanto, a divulgação não altera a nossa visão para a atividade econômica no terceiro trimestre, que deve continuar apresentando moderação”, destacou o texto.

Na comparação com o mesmo mês de 2025, o volume de serviços cresceu 0,9%, registrando o 28º resultado positivo consecutivo, registrando avanço em três das cinco atividades pesquisadas, e contou com crescimento em 50,0% dos 166 tipos de serviços investigados. No acumulado de janeiro a julho deste ano  frente a igual período de 2025, a alta foi de 1,9%. O acumulado nos últimos 12 meses até julho registrou elevação de 2,4%, reduzindo o ritmo de expansão observado em junho, de 2,6%, confirmando o processo de desaceleração em curso. 

Atividades turísticas em expansão

De acordo com os dados do IBGE, como julho corresponde às férias escolares do meio do ano, o índice de atividades turísticas apontou expansão de 2,7% frente ao mês imediatamente anterior, recuperando, assim, parte da perda de 4% observada entre maio e junho. “Com isso, o segmento de turismo se encontra 9,4% acima do patamar de fevereiro de 2020 e opera, em julho de 2026, 3,8% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024”, informou a nota do IBGE.

Regionalmente, 11 dos 17 unidades da federação pesquisadas na PMS acompanharam este movimento de expansão verificado na atividade turística nacional. A contribuição positiva mais relevante ficou com São Paulo, com alta de 3,5%, seguido por Bahia (8,6%), Paraná (6,7%) e Minas Gerais (2,8%). Em sentido oposto, as principais quedas nesse segmento ficaram com Ceará, de 1,8%, e com Pernambuco, de 1,1%.

Contudo, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume de atividades turísticas no Brasil apresentou retração de 2,6%, quinto resultado negativo seguido nessa base do levantamento. A queda foi resultado, principalmente, pela redução na receita de empresas que atuam no ramo de transporte aéreo de passageiros; e de hotéis. Em termos regionais, 10 das 17 unidades da federação onde o indicador é investigado mostraram queda nos serviços voltados ao turismo, com destaque para São Paulo, com queda de 3,5%, seguido por Pernambuco (-13,7%), Ceará (-13,7%), Paraná (-5,3%), Pará (-15,1%) e Distrito Federal (-6,5%). Em contrapartida, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram os melhores dados positivos do mês, de 18,6%, 2,8% e 1,8%, respectivamente. 

Via Correio Braziliense