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A capacidade do Estado de manter crescimento econômico e equilíbrio fiscal, mesmo em um cenário nacional marcado por juros elevados, restrição ao crédito e incertezas no comércio internacional foi o que levou Santa Catarina a encerrar 2025 com crescimento nominal de 6,8% na arrecadação em relação a 2024.

O valor de R$ 57,3 bilhões representa alta real de 2,2%, descontada a inflação de 4,4% do período, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado da Fazenda. Na avaliação do Sindifisco/SC (Sindicato dos Fiscais da Fazenda de Santa Catarina), o resultado reflete a capacidade do Estado de manter crescimento econômico e equilíbrio fiscal mesmo em um cenário nacional marcado por juros elevados, restrição ao crédito e incertezas no comércio internacional.

“O desempenho da receita mostra a combinação entre atividade econômica diversificada, política tributária estável e manutenção de incentivos produtivos”, analisa o auditor fiscal Cristiano Colpani, presidente do Sindifisco. Em dezembro, a arrecadação somou R$ 4,9 bilhões, sendo R$ 3,9 bilhões provenientes do ICMS, com crescimento real de 2,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O governo catarinense destacou que os resultados foram alcançados sem aumento da carga tributária, reforçando a estratégia de segurança jurídica e previsibilidade para empresas e investidores.

No acumulado do ano, o ICMS totalizou R$ 45,1 bilhões, com crescimento real de 1,2% frente a 2024. Dados da Fazenda mostram que os setores que mais contribuíram para esse avanço foram transporte, com crescimento nominal de 20,2%, energia elétrica (10,7%), medicamentos (8,9%) e combustíveis (7,4%). Também tiveram participação relevante supermercados (6,4%) e materiais de construção (5,4%), indicando a sustentação do consumo e do mercado interno ao longo de 2025.

Na leitura do Sindifisco/SC, o resultado do ano ganha ainda mais relevância quando considerada a base de comparação elevada de 2024, marcada por receitas extraordinárias do programa Recupera Mais. Em 2025, as parcelas remanescentes do programa somaram R$ 574,9 milhões, o equivalente a 1% da arrecadação anual. Ainda assim, a própria Secretaria da Fazenda aponta que, ao excluir esse efeito e observar apenas o crescimento associado à atividade econômica, a arrecadação teria avançado 8,6% em termos nominais e 4% em termos reais frente ao ano anterior.

O Sindifisco/SC destaca que parte desse desempenho positivo está ligada à capacidade da economia catarinense de absorver choques externos. Em 2025, Santa Catarina sentiu os efeitos de medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, especialmente sobre a cadeia da madeira e de móveis, segmento relevante para regiões como o Planalto Norte. Produtos de madeira e móveis, que representam parcela expressiva das exportações do Estado para o mercado norte-americano, permaneceram sobretaxados, resultando em impacto localizado sobre produção e emprego nesse setor específico. Ainda assim, a diversificação da base produtiva catarinense e a força da agroindústria, presente em mais de 80 mercados internacionais, ajudaram a conter efeitos mais amplos sobre a economia estadual.

Outro aspecto positivo ressaltado pelo Sindifisco/SC é o comportamento do mercado de trabalho, que contribuiu diretamente para sustentar o consumo e o varejo. Mesmo em um ambiente de juros altos, Santa Catarina registrou mais de 100 mil vagas criadas em 2025, mantendo um dos menores índices de desemprego do país. Para o sindicato, a geração de emprego e renda foi decisiva para preservar o mercado interno aquecido, fator que se reflete no bom desempenho de segmentos como supermercados e serviços, que aparecem entre os destaques da arrecadação.

No campo das políticas públicas, a Secretaria da Fazenda informou que programas de incentivo como Prodec, Pró-Emprego e TTD 489 tiveram papel relevante na sustentação dos investimentos. Ao longo de 2025, foram 193 projetos assinados, com R$ 14,4 bilhões em investimentos e expectativa de geração de 46 mil novos empregos. Na avaliação do Sindifisco/SC, essas iniciativas funcionam como um contrapeso aos efeitos negativos dos juros elevados, preservando a competitividade do Estado e estimulando a expansão da atividade produtiva.

As variações mensais da arrecadação ao longo do ano foram consideradas moderadas e compatíveis com o cenário econômico. Na comparação real com 2024, os resultados ficaram em +1% em janeiro, +7% em fevereiro, +6% em março, 0% em abril, -0,5% em maio, +5,1% em junho, -2,7% em julho, +1,1% em agosto, -1% em setembro, +0,7% em outubro, +3% em novembro e +2% em dezembro. Para o Sindicato, o conjunto dos dados aponta um ano de solidez fiscal com preservação da atividade econômica.

Na avaliação final do Sindifisco/SC, o desempenho da arrecadação em 2025 demonstra a importância da Administração Tributária e dos Auditores Fiscais na sustentação das finanças públicas e na proteção do ambiente de negócios. “A atuação técnica do Fisco é fundamental não apenas para garantir arrecadação eficiente, mas também para oferecer estabilidade, justiça fiscal e condições para o desenvolvimento econômico sustentável de Santa Catarina”, ressalta o presidente do sindicato, Cristiano Colpani.