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Entidade afirma que fim da tributação amplia vantagem dos importados justamente quando a indústria brasileira enfrenta tarifaço dos EUA

A possibilidade de o governo federal reavaliar a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, ganhou força nesta segunda-feira (27/7), após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmar que poderá sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a revisão da medida caso seja constatado desequilíbrio na concorrência entre produtos nacionais e importados.

A declaração ocorre em um momento em que entidades do setor industrial voltam a pressionar pela retomada da cobrança sobre remessas internacionais de pequeno valor. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) defende que a tributação, revogada por Medida Provisória em maio e ainda pendente de análise pelo Congresso Nacional até setembro, seja restabelecida para reduzir os impactos da concorrência com produtos importados.

Segundo a entidade, a retirada da cobrança ampliou a entrada de mercadorias estrangeiras, especialmente da China, em um cenário já considerado desafiador para a indústria brasileira, que também enfrenta os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações nacionais.

Os dados apresentados pela Fiemg indicam que, em junho, as importações de produtos de baixo valor chegaram a R$ 2,6 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo mês de 2025.

Para o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a revogação da tributação ampliou a vulnerabilidade da indústria nacional. Segundo ele, o setor não busca proteção de mercado, mas condições equivalentes de competição. Na avaliação do economista, enquanto produtos importados chegam ao país sem enfrentar os custos tributários e estruturais que afetam a produção nacional, a indústria brasileira continua submetida ao chamado Custo Brasil.

A federação também lembra que, antes da aprovação da tributação em 2024, elaborou um estudo apontando que a manutenção da isenção poderia provocar perda de 1,1 milhão de empregos e reduzir em R$ 99 bilhões o faturamento do setor produtivo.

Na avaliação da entidade, o quadro se torna mais delicado porque a indústria enfrenta simultaneamente a perda de competitividade no mercado externo, em razão das tarifas norte-americanas, e uma concorrência mais intensa no mercado doméstico com produtos importados de menor preço.

Além da retomada da tributação sobre remessas de pequeno valor, a FIEMG defende a adoção de medidas estruturais para fortalecer a competitividade da indústria brasileira, como a redução do Custo Brasil, melhorias na infraestrutura logística e energética, equilíbrio fiscal e ampliação do acesso ao crédito.

Embora popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, a tributação não se restringe ao setor de vestuário. As remessas internacionais de até US$ 50 incluem também componentes eletrônicos e diversos outros bens de consumo, impactando diferentes segmentos da economia.

Via Correio Braziliense