São Paulo caiu para a segunda colocação, enquanto Santa Catarina assumiu o topo pela primeira vez; desempenho em diferentes áreas explica a mudança
São Paulo perdeu, pela primeira vez em 14 anos, a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo CLP (Centro de Liderança Pública). Na edição de 2026, Santa Catarina assumiu o primeiro lugar, com 87,06 pontos, enquanto SP ficou em segundo, com 80,68. A diferença, que era favorável aos paulistas em 1 ponto no ano anterior, passou a ser de 6,38 pontos a favor dos catarinenses.
O resultado não representa necessariamente uma queda generalizada de São Paulo, mas mostra que Santa Catarina avançou em ritmo mais acelerado. Em 2023, São Paulo tinha vantagem de 5,6 pontos sobre SC. Em 2024, a diferença caiu para 2,7 pontos e, em 2025, chegou a apenas 1 ponto. Na edição de 2026, houve a inversão: SC passou a ter vantagem de 6,4 pontos na classificação geral.
São Paulo perde posições na Eficiência da Máquina Pública
Um dos principais fatores que ajudam a explicar a mudança está na Eficiência da Máquina Pública. São Paulo, que ocupava a 2ª colocação nesse pilar em 2025, caiu para a 11ª posição em 2026, uma perda de nove posições.
Entre os indicadores que contribuíram para o recuo estão o equilíbrio de gênero na remuneração pública estadual, que perdeu 23 posições, a qualidade da informação contábil e fiscal, com queda de oito posições, e a produtividade de magistrados e servidores do Judiciário, que recuou seis posições.
A comparação com Santa Catarina evidencia ainda mais o problema. Enquanto São Paulo ficou em 11º lugar em Eficiência da Máquina Pública, Santa Catarina avançou da 10ª para a 3ª posição. A nota catarinense nesse pilar passou de 74,73 para 82,87 pontos.
O estado da região Sul apresentou desempenho positivo ou estável em indicadores como eficiência do Judiciário, custo do Executivo, Judiciário e Legislativo em relação ao PIB, qualidade da informação contábil e fiscal, serviços digitais e equilíbrio de gênero na remuneração pública.
Outro ponto de atenção para São Paulo está no Capital Humano. O estado caiu quatro posições e terminou 2026 em 9º lugar. O resultado contrasta com a liderança catarinense no pilar, que reúne indicadores relacionados ao mercado de trabalho, à qualificação e à inserção da população economicamente ativa.
A Segurança Pública também deixou de ser um ponto tão favorável para São Paulo. O estado terminou a edição de 2026 na 7ª posição, enquanto Santa Catarina ficou em primeiro lugar. O estado catarinense se destaca por indicadores como a menor taxa de mortes violentas e o menor índice de roubos do país, de acordo com o Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Na área fiscal, a diferença também é significativa. São Paulo aparece em 14º lugar em Solidez Fiscal, enquanto Santa Catarina está na 4ª posição. O desempenho paulista é relevante porque o estado mantém enorme peso econômico nacional, mas não consegue transformar essa vantagem em uma posição igualmente elevada no conjunto dos indicadores fiscais avaliados pelo ranking.
Ranking de Competitividade dos Estados: em quais áreas SP ainda lidera
São Paulo permanece em 1º lugar em Infraestrutura, Educação e Sustentabilidade Ambiental, além de ocupar a 2ª posição em Sustentabilidade Social, a 4ª em Inovação e a 5ª em Potencial de Mercado. Ou seja, a perda da liderança não significa que o estado tenha deixado de ser competitivo, mas evidencia uma distribuição mais desigual dos resultados entre os dez pilares analisados.
A diferença fica ainda mais clara quando os dois estados são colocados lado a lado. Santa Catarina supera São Paulo em sete dos dez pilares: Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública, Sustentabilidade Social, Inovação, Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal. São Paulo leva vantagem nos outros três: Educação, Sustentabilidade Ambiental e Infraestrutura.
O avanço catarinense também foi consistente. Em Educação, Santa Catarina saltou da 9ª para a 2ª posição entre 2025 e 2026. Em Eficiência da Máquina Pública, avançou da 10ª para a 3ª colocação; em Potencial de Mercado, foi do 3º para o 1º lugar; em Solidez Fiscal, passou da 7ª para a 4ª posição; e em Sustentabilidade Ambiental, também avançou da 7ª para a 4ª colocação.
Além dos avanços específicos, Santa Catarina apresenta uma característica que ajuda a explicar a liderança: regularidade. O estado está entre os cinco primeiros colocados em todos os dez pilares avaliados pelo CLP. É primeiro em quatro deles (Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social), segundo em Educação e Inovação, terceiro em Eficiência da Máquina Pública, quarto em Solidez Fiscal e Sustentabilidade Ambiental e quinto em Infraestrutura.
A mudança no topo mostra que a competitividade de São Paulo continua sustentada por vantagens estruturais importantes, mas que elas já não são suficientes para compensar resultados mais fracos em áreas como gestão pública, capital humano e solidez fiscal. O ranking do CLP avalia 27 unidades da Federação a partir de dez pilares e 100 indicadores.
Via ND+
